terça-feira, 10 de maio de 2011

Antropologia e Cultura Organizacional

RELATÓRIO FINAL DO TRABALHO DE CAMPO REALIZADO NO DIA 07/05/2011, NA RESERVA INDÍGENA SANTO ANTONIO DO PITAGUARY NO MUNICÍPIO DE MARACANAÚ-CEARÁ.
ALUNOS: DEYSE CASTRO, CONCEIÇÃO GALVÃO
DISCIPLINA: ANTROPOLOGIA E CULTURA ORGANIZACIONAL


INTRODUÇÃO
  Como reza a história existiam no Brasil cerca de 5 milhões de  índios quando da chegada  dos portugueses  no ano de 1500.Com a  vinda do homem branco, das suas culturas e costumes, com a escravização e a tomada pelos brancos do território brasileiro ,hoje restam menos de  400 mil índios. Na reserva Indígena Santo Antonio do Pitaguary hoje moram cerca de 300 famílias, no total de 3500 índios (Olho d´Àgua, Orto e Mangueira), lideradas pelo cacique Daniel que foi instituído  como  cacique no ano de1992, quando da luta pela demarcação da terra que compõe a reserva que tem  hoje 1735  hectares.

METODOLOGIA
   No dia o7 /05/20011 as 07h30min da manhã saímos do Pólo da UVA de Maranguape, situado no Colégio São José, com uma equipe composta por cerca de 45  pessoas mais o motorista do ônibus, com destino a Reserva Indígena Santo Antonio do Pitaguary, situada no município de Maracanaú cerca de  8km de distância da cidade de Maranguape.Logo no caminho podemos perceber  a pouca atenção que o poder público (no caso prefeituras de  Maranguape /Maracanaú)mantém para com seu povo. Estradas esburacadas, lama e o iminente perigo de um acidente por conta da falta de estrutura dificultaram o trajeto.
  Ao chegarmos a Reserva podemos observar logo na entrada uma escola, um CRAS, uma igreja católica, outra evangélica, um açude e uma horta. Fomos recebidos pelo Cacique Daniel, numa palhoça, ao lado da sua casa, que é uma estrutura de alvenaria e de pau a pique ao mesmo tempo, revelando uma discrepância visível de culturas. Na palhoça podemos observar vários adereços e armas da cultura indígena, com também os badulaques com os quais os índios se enfeitavam e que hoje são comercializados para o mundo, como artesanato. Vimos ainda à forma como se porta o cacique Daniel dentro de seu ambiente, uma liderança institucional e conservadora. Feitas as apresentações, o cacique Daniel deu seu depoimento, contando sua história, a história do surgimento da reserva, as lutas pelas quais passaram na época da demarcação e quais suas maiores dificuldades hoje, no que diz respeito tanto a preservar a cultura como a manter uma linha entre o contemporâneo e o tradicionalismo.

* Segue anexos de fotos da estrutura  física da reserva.

ANÁLISE
  Não é de se admirar que no Brasil hoje existam menos de 500 mil índios, o que  nós podemos observar nesse trabalho de campo  e que o próprio índio faz questão de não o sê-lo por  vergonha e  preconceito.Existe  toda uma história de luta que é desvirtuada no final pelo  sistema e pela ganância onde a cultura  e os ditames do povo indígena são os últimos elementos a serem levados em conta.
  Na Reserva indígena Santo Antonio do Pitaguary, o que se pode ver é que a modernidade chegou lá sim mas de forma ainda a desejar melhoras, visto que uma escola, um CRAS (Centro de Referência da Assistência Social) e igrejas não remontam à cultura organizacional indígena, mas a uma organização padrão das cidades modernas. Dentro da reserva, pelas palavras do cacique o que se pode observar é uma busca constante pela melhoria no que diz respeito ao social, ou seja, uma inserção na sociedade moderna como ela é hoje. Isso faz parte do progresso e é aceitável; o que não é aceitável, é como isso acontece, visto que os jovens não se interessam pela cultura ancestral, podando assim a possibilidade de a mesma sobreviver. Será culpa dos próprios jovens, ou das lideranças que não valorizam de verdade seus cultos ancestrais?Lideranças que embainhadas da espada luta/terra, denigrem seus valores e sua cultura, criando uma falsa impressão de que tudo é feito em busca de uma causa que há  muito os próprios índios já esqueceram; que é a sobrevivência da sua raça e da sua identidade cultural.

  Com certeza não esperávamos encontrar lá uma aldeia do século XVI, mas esperávamos encontrar traços mais fortes dos remanescentes indígenas tanto na pessoa do cacique, como nas pessoas do assentamento. A impressão que ficou para nós é que as terras valem mais que o humano, que o cultural, claro que entendemos que a terra é  o seu referencial concreto, visto que os mesmos viviam livres e hoje existe o metro como limite em termos de demarcação.Mas isso não justifica o distanciamento de  uma cultura tão rica e tão encantadora com suas lendas, suas danças, seus ritos.Em relação a religião e seus cultos como na luta pela terra, a questão também está desvirtuada havendo uma miscigenação de valores religiosos onde a cultura religiosa indígena está vinculada diretamente a cultura religiosa africana, e a ocidental quando na verdade o índio tinha uma ligação direta com a natureza e desta com Deus (Tupã), isso era uma interdependência  com o meio natural  assimilado como um elemento a mais na sua crença, e não como uma forma de constranger, como acontece nas culturas ocidentais e africanas.
  Concluímos com essas reflexões que o índio hoje  além de ser uma pequena minoria no país, faz por onde isso aconteça quando por medo ou por força da aculturação  de  alguma forma renega suas origens. Suas lutas baseadas na posse da terra excluem de forma visual seus valores culturais e raciais. Nas tribos que antes existiam pajés, caciques, guerreiros, lendas e danças, hoje existem conselhos que são supervisionados pela  FUNAI (Fundação  Nacional do Índio) pratica-se a política de brancos, cultua-se os deuses dos negros.Cabe aos próprios índios ainda que em minoria manter sua cultura  e organização,cabe a eles  não só a luta pela terra,mas também por sua identidade cultural.

                                     Maranguape 09 de Maio 2011

Antropologia e Cultura Organizacional

ENTREVISTA

INSTITUIÇÃO: E.E.F.M CAIC -CENTRO DE ASSISTÊNCIA INTEGRAL A CRIANÇA E ADOLESCENTE SENADOR CARLOS JEREISSATE
ENTREVISTADO: PROF.EVALDO- DIRETOR
EQUIPE:DAYSE CASTRO, CONCEIÇÃO GALVÃO,VALÉRIA SILVA , ALCINÉIA ÃNGELO,ANDREZA CASTRO E SIMONE DE PAULA.
EQUIPE: COMO SURGIU A INSTITUIÇÃO, QUAL A ORIGEM DE SUAS RAÍZES?

PROF.EVALDO: - A escola CAIC surgiu como um projeto de escola modelo que seria implantado nas áreas de risco em comunidades pobres e funcionaria em período integral em todo o país,um projeto criado na era Collor,que  no decorrer do tempo estagnou.O prédio possui uma estrutura funcional,o que fez com que o estado depois de algum  tempo o encampasse , tornando-o uma escola de ensino fundamental e médio, sua fundação data do ano de 1996,mas só no ano de  1999  a escola passou a ser de ensino médio.

EQUIPE: QUAL O PERÍODO DE MAIOR SUCESSO ALCANSADO PELA INSTITUIÇÃO, E SE JÁ HOUVE ALGUM PRÍODO CRÍTICO, QUAIS OS MÉTODOS USADOS PARA CONTORNÁ-LOS?
PROF.EVALDO:- O período de maior sucesso da escola CAIC foi na gestão da diretora Claudia de 1998 a 2001, onde houve o desenvolvimento de vários projetos em que a escola se destacou no cenário cultural e esportivo, já o período crítico aconteceu entre os anos de 2002 a 2006, onde houve a interdição da quadra poli-esportiva, por conta de uma falha na estrutura, o que levou a uma parada nas atividades esportivas da escola e o afastamento da comunidade, em relação a parcerias. Esses problemas foram solucionados há dois anos com a reforma da quadra, e a abertura por parte do núcleo gestor para a participação direta da comunidade, nas pessoas de pais e alunos (grêmio) que trabalham em conjunto com a escola numa parceria aberta.

EQUIPE-QUAIS OS PARÂMETROS ORGANIZACIONAIS EM TERMOS DE:
PROF. EVALDO
- ESTRUTURA FÍSICA (CENÁRIO)-A escola possui 12 salas, um teatro, um anfiteatro, sala de multimeios, sala de multimídia, sala do grêmio estudantil, auditório amplo, quadra poli-esportiva, e anexa ao prédio uma escola municipal e, o posto de saúde da comunidade, na verdade, os prédios nos quais estão situadas essas duas instituições fazem parte do corpo central do prédio da escola.
PROPÓSITO:- A formação educacional baseada no respeito e na formação crítica aliada ao conhecimento e valorização do ser humano.
FILOSOFIA:- Oportunizar o conhecimento cultural e humanístico.
DESAFIOS:- O maior desafio da escola é a permanência do aluno na escola, principalmente no turno da noite por conseqüência da conciliação trabalho /estudo, que dificulta essa permanência. O outro desafio é a qualidade, queremos proporcionar um ensino de qualidade onde o aluno tenha realmente o aprendizado e desenvolva uma personalidade cultural apartir disso.
METAS:- Alcançar um nível de aprovação com aprendizado, com um mínimo de desistência por ano base e o máximo de aproveitamento do conteúdo.
NORMAS E EXECUÇÕES- Boa parte das diretrizes e normas vem da Seduc e Cred baseadas na LDB (LEI DE DIRETRIZES E BASES DA EDUCAÇÃO), a escola tem uma pequena autonomia.
PADRÕES DE CONDUTA:- São retirados do Projeto Político Pedagógico da escola, além do regimento interno da escola que detalha os padrões de conduta e as normas de convivência.
VALORES ORGANIZACIONAIS OFICIAIS:- Princípios éticos, morais e estéticos, com senso de organização disciplina e zelo, respeito e valorização da vida.

EQUIPE-COMO SE PROCESSA A COMUNICAÇÃO DENTRO DA INSTITUIÇÃO: FORMAL, INFORMAL?QUAIS OS TERMOS DE COMUNICAÇÃO MAIS FORTES USADOS, E OS SÍMBOLOS QUE OS REPRESENTAM, PARA EXPRESSAR ORDEM, PODER E CONFIANÇA?
PROF.EVALDO:- De maneira informal através do diálogo aberto, onde a gestão procura ouvir e ser ouvida tendo a palavra falada como seu principal meio de informar, manter a ordem, e o propósito de orientar.

EQUIPE-COMO SE APRESENTA A RELAÇÃO: INSTITUIÇÃO/ALUNO, INSTITUIÇÃO/COLABORADOR?
PROF.EVALDO:- Participativa de ambos os lados dentro de um respeito às regras e normas de conduta, com participação dos pais numa parceria escola/comunidade. Embora ainda haja de certa forma alguns ruídos de comunicação (mau-interpretação) que cria em poucas vezes um ambiente desencontrado, a escola procura ver a equipe como foco principal (pais, alunos e gestores), tentando minimizar no máximo esses contratempos. A participação dos pais é muito valorizada, fazemos questão de ouvi-los para compor nosso quadro relacional.

EQUIPE-AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS (CONTATOS) SÃO DE: DOMINAÇÃO, SUBMISSÃO, HARMÔNICAS, AMBÍGUAS, OU DE OUTRAS FORMAS?
PROF.EVALDO:- Harmônicas, embora as interpretações sejam determinantes no fator “entendimento” de cada um. A escola é uma equipe e a equipe só funciona quando todos trabalham e buscam o mesmo objetivo. Esse trabalho é coletivo e tem que seguir uma unidade para manter a harmonia dentro do ambiente escolar. Claro que vez por outra acontecem contra tempos que procuram ser superados  na base do diálogo, orientação e respeito a opinião tanto do aluno, quanto do colaborador, e gestores ou seja a co-responsabilidade.

EQUIPE-O QUE É SER CERTO (CORRETO) PARA A INSTITUIÇÃO?
PROF.EVALDO:- Ser correto para a escola é manter as relações de imparcialidade, respeito, justiça e legalidade, sem impor verdades absolutas, com jogo de cintura para equilibrar os conflitos que possam vir a surgir, nunca se esquecendo de valorizar o ser humano, tanto na figura do aluno como na figura do colaborador.

EQUIPE-NO CASO DO DESCOMPRIMENTO DE ALGUMA NORMA DA INSTITUIÇÃO PELO ALUNO OU COLABORADOR, QUAL A  MEDIDA TOMADA POR PARTE DOS GESTORES?
PROF.EVALDO-: As primeiras atitudes são o diálogo e a orientação, caso haja uma reincidência, se toma medidas corretivas como suspensão, advertência, e no último caso a transferência sendo tudo documentado e paramentado dentro do regimento escolar. Deve-se ressaltar que procuramos resolver sempre nossos problemas dentro da escola de maneira a não prejudicar nem a escola nem o aluno e/ou colaborador, visto que temos a visão que no caso de transferências há realmente só a transferência do problema e dificilmente a solução. Em casos mais sérios temos o Conselho Tutelar como parceiro da escola.

EQUIPE-QUAIS AS FORMAS DE SOCIALIZAÇÃO DENTRO DA INSTITUIÇÃO, O PERFIL ESPERADO DO COLABORADOR DE ANTE DOS VALORES ORGANIZACIONAIS?
PROF.EVALDO:- Como já foi dito a maior forma de socialização é o diálogo abertos, esperando tanto do colaborador quanto dos alunos princípios éticos e morais que estabeleçam um ambiente harmônico e produtivo.

EQUIPE-EXISTE ALGUM MITO RELIGIOSO OU PROFISSIONAL, ALGUM HERÓI QUE REPRESENTE A INSTITUIÇÃO FILOSOFICAMENTE?
PROF.EVALDO:- Sim a Fênix, nossa escola vem renascendo sempre. Existe uma luta constante na busca da melhoria tanto da parte pedagógica, como da relacional e também da credibilidade como uma instituição séria, onde os valores educacionais e sociais se encaixem e se transformem em um bem comum para a comunidade e a sociedade. É um renascimento constante, onde o principal objetivo é fortalecer e ampliar os mecanismos de uma gestão participativa, dinamizando a vida estudantil e suas relações, resgatando a autoconfiança tanto do aluno, como da sociedade.

EQUIPE- QUAL A MISSÃO DA INSTITUIÇÃO, JUNTO A SEUS ALUNOS, COLABORADORES E SOCIEDADE?
PROF. EVALDO:- Garantir a excelência do saber assegurando sua universalidade formando cidadãos críticos e históricos, capazes de agir frente às transformações sociais e desafios impostos pela vida moderna.



 Análises e Impressões
  Baseando-se nas palavras do diretor Evaldo e observando o ambiente da escola em pleno horário de funcionamento, as conclusões que obtemos ao analisar esses dois fatores são:
1-      A escola reflete a pessoa do diretor, ou seja, da gestão, que prima pela clareza e objetividade da sua missão.
2-      Existe um nível de satisfação geral no ambiente.
3-      A comunicação é feita de maneira clara, com acessibilidade tanto dos alunos como dos colaboradores junto ao núcleo gestor.
4-      Os valores organizacionais estabelecidos são de fatos postos em prática.
5-      Existe um nível alto de confiança e profissionalismo por parte dos gestores e colaboradores.
6-      Os níveis de relacionamentos internos e externos primam pela amizade, pela participação e pelos diálogos advindos tanto do núcleo gestor/colaboradores, como dos alunos.

   Analisando antropologicamente a história da instituição, vemos que a mesma vem se estruturando ao longo do tempo como uma criança que está aprendendo a andar segura de que crescerá todos os dias, numa luta constante pelo aprimoramento e alcance de seus objetivos.
   Com uma postura policêntrica, construindo a religação dos saberes e a capacitação de novos valores age de forma aberta à orientação e a participação tanto da sociedade, como dos seus colaboradores no intuito de melhorar o funcionalismo e a obtenção de resultados perante os alunos, que são o seu capital humano.
   No concurso geral a escola CAIC vem se destacando por uma grande melhoria na qualidade do ensino e na retomada da sua credibilidade que durante algum tempo esteve abalada por uma sucessão de acontecimentos internos e externos e pelo preconceito concebido pela visão da sociedade quando da sua construção, visto que a mesma está situada em uma érea que era considerada de risco na época (1996), hoje uma grande comunidade, que contém duas escolas, um posto de saúde e que brevemente inaugurará um projeto de creche modelo.
  O que podemos observar é que o símbolo da fênix, é realmente uma verdade como na história da escola, que vem renascendo das cinzas, e se fortalecendo como referência no ensino público dentro da cidade de Maranguape, tanto nos termos organizacionais sociais e humanísticos.

                                                                                                                        Maranguape, 02 de Maio de 2011.